Moara vem do tupi mo’ar, que significa “fazer nascer” ou “ajudar a nascer”, portanto, é um nome que está estreitamente relacionado às parteiras.
Mas acontece que nós não parimos apenas outros seres humanos. Nós parimos ideias, pensamentos, palavras, movimentos, arte, música, dança, escrita, projetos…
Constantemente nós gestamos outros mundos, novas possibilidades, novos amores, novas amizades, novos entenderes sobre tudo o que nos rodeia.
Trazemos à vida aquilo que faz nossos corações baterem mais forte e nossos olhos brilharem, seja uma peça de crochê, uma compota de frutas, uma coreografia de dança ou o projeto de uma casa.
Nos esmeramos em tornar o mundo um lugar melhor, ao mesmo tempo em que perpetuamos saberes tão antigos quanto o tear, a culinária, o tricô, o bordado, as práticas de cura com ervas, o benzimento, o rezo, os rituais de fertilidade e o canto, entre tantos outros.
A todo instante, parimos tudo isso, deixando a nossa criatividade contar e recontar histórias, seja das nossas mães, avós, bisavós e ancestrais, dando continuidade ao fio tênue que nos mantêm conectadas a todo e qualquer ser vivo do planeta.
É para continuar tecendo essas histórias e esses saberes que a Moara nasceu. Para conectar mulheres de origens diversas, para compartilhar nossos aprendizados e ajudar a nascer um novo mundo.
Como bem sabem os povos andinos, nós caminhamos sobre o nosso passado. Ele se apresenta à nossa frente para que possamos lembrar, celebrar e honrar aquelas que vieram antes de nós, que trilharam essa estrada uma e outra vez até que ela estivesse visível o suficiente para que pudéssemos acompanhá-las.
E é tempo de parir tudo o que elas nos ensinaram, para que possamos voltar a viver em comunidade, respeitando nossos vizinhos, compartilhando o pão, trocando sementes de sabedoria e desenvolvendo um novo e ancestral olhar sobre o nosso mundo.
Se você chegou até aqui, é porque já está nesse caminho. Que tal irmos juntas?

